quinta-feira, 29 de maio de 2014

5 minutos por dia, não sabe o bem que lhe fazia...

Com a minha participação cada vez maior em trails, senti necessidade de começar a fortalecer a musculatura  da zona média (abdominal e dorsal). No passado sofri muito de lombalgias de esforço e actualmente com o incremento semanal de quilómetros introduzi um pequeno conjunto de exercícios para complementar o trabalho de corrida. Tem várias vantagens: - são apenas 5 minutos - são exequíveis -são relativamente acessíveis.

terça-feira, 13 de maio de 2014

IV Ultra Trail de Sesimbra

Esta prova estava marcada na minha cabeça desde que comecei a correr em 2012. Na altura da sua II edição estava em Sesimbra e vi o pessoal a correr no Cabo Espichel e fiquei com o bichinho cá dentro. Fiz uma preparação razoável com algumas provas de preparação pelo meio, sendo a prova dos Trilhos de Almourol um grande teste para tentar perceber se conseguiria terminar uma prova desta envergadura. Afinal os Trilhos de Almourol foram mais difíceis, do que o previsto para todos, não só para mim. Eu e o meu amigo Rui Soeiro fizemos algumas provas e treinos juntos e estabelecemos como objectivo terminar este Ultra Trail o nosso primeiro. Fomos no dia anterior à prova com as respectivas famílias, aproveitando para levantar os dorsais logo nesse dia e dormimos logo em Sesimbra na noite anterior. 

No dia da prova, que começava às 8h, levantámos-nos e fomos tomar o pequeno almoço por volta das 7h, comi o habitual que costumo comer antes das provas: sumo e torradas. Aproveitei para encher com água, um boião extra que levava para a prova, que mais tarde perdi-o durante a corrida... Chegados à zona da partida ficamos à conversa alguns minutos e por cima através do speaker da organização ouvimos para nos dirigirmos para o garrafão da partida. Muito lentamente e sem grande vontade, o pessoal começa a concentrar-se dentro do garrafão da partida, após nos questionarem se tínhamos todo o material obrigatório: telemóvel, copo e recipiente com água.  A partida deu-se com um atraso de 10 minutos porque o pessoal atrasou-se no levantamento dos dorsais. Partida dada em contagem decrescente e lá fomos nós para a nossa Ultra aventura. O primeiro km foi feito em alcatrão e em terreno plano, até que a partir do 2 km e até ao 5 km fomos sempre a subir, como estratégia para nos pouparmos fisicamente, optámos logo desde o início fazer todas as subidas a passo. 






Foto de Espiral Photo

Ao 3km surgiu a "parede", um das subidas mais difíceis e perigosas de todo o percurso, felizmente a paisagem maravilhosa dava para esquecer um pouco o sofrimento da subida. Por volta do 4 km surgiu o primeiro abastecimento, apenas liquido. Ao 5km tivemos uma descida perigosa que depois nos obrigou a termos uma nova "parede" para escalar. Até ao 9 km, sensivelmente foi um sobe e desce constante com subidas muito duras e descidas perigosas. O segundo abastecimento surgiu por volta do 9km, o posto de abastecimento estava muito concorrido e tinha tudo o que era necessário, água, isotónico, frutos secos, laranjas, bananas, sal, marmelada. Tivemos alguns minutos a abastecer e seguimos, desta vez para baixo quase até ao mar por uma descida perigosíssima, muito inclinada com pedras soltas e à direita um pequeno muro em cimento. Este muro tinha uns pilares e cordas (colocadas pela organização) que nos permitiam agarrar e abrandar. Mesmo no final da descida, escorreguei e caí para trás, fiquei sentado no chão, com a queda abri um buraco na mão esquerda e raspei o braço direito no muro de cimento ficando com duas "belas" feridas a sangrar abundantemente. O Rui viu a minha queda e perguntou-me se estava bem. Ferido no orgulho levantei-me e segui, como a ferida da mão esquerda não parava de sangrar limpei as feridas com água do boião de água e estanquei a ferida da mão esquerda com um lenço de papel. Ao 10.5km surge nova "parede" para escalar, esta foi mais difícil porque praticamente só tinha o braço direito em bom estado. Do 13 km até ao 16 km  fomos  subindo e descendo pelas escarpas junto ao mar. Chegados ao farol do Cabo Espichel o estado de espírito mudou não só por termos atingindo o marco importante mas por termos chegado ao terceiro abastecimento. 






Foto dos Rail Runners

No abastecimento pedi algo para puder desinfectar as feridas mas infelizmente não tinham. Tive de esperar pelo próximo abastecimento daí a 8 km mais ou menos. Passámos ao lado do Santuário da  Nossa Senhora do Cabo e não por dentro, seria mais bonito se fossemos pelo meio.  











Fotos de Ricardo Taxa

Continuámos sempre junto ao mar com uma paisagem de cortar a respiração, com grandes escarpas à nossa esquerda. Por volta do 22 km tivemos uma descida muito complicada para descer, escusado será dizer que a subida que tivemos que enfrentar foi mais uma daquelas colossais. Ao 24 km descemos pelas escarpas mesmo até ao nível do mar, correndo em cima das rochas e passando uma praia muito interessante e com montes de gente dentro de água. O que nós pensámos (em ir dar um mergulho) outros realizaram, um casal foi ao banho para arrefecerem. Logo a seguir surgiu o quarto abastecimento, aí pude finalmente desinfectar as feridas com uma bisnaga de betadine que um elemento da organização me forneceu. Os abastecimentos mais uma vez foram excelentes em qualidade e quantidade, eu e o Rui fomos comendo entre outras coisas, banana com sal que nos permitia recuperar os sais perdidos e ingerir magnésio e zinco a fim de evitar as caimbras. Depois de estarmos alguns minutos no abastecimento seguimos e uns 2 km mais à frente surge nova descida brutal seguida de uma enorme subida. A partir do 26 km surgiu o calvário de km e km em areia seca de praia pelas dunas das praias do Meco. Depois de correr lentamente, ou andar rápido, chegámos ao quinto abastecimento, neste abastecimento houve imensos atletas a desistirem devido ao calor intenso que já se sentia e aos km em areia. Neste abastecimento tivemos sentados no chão algum tempo a tirar montes de areia de dentro das sapatilhas, comportamento que se repetiu por quase todos os atletas que estavam no abastecimento. Íamos com cerca de 5h30 de prova e apenas 30 km feitos. Foi um pouco desmotivante ver montes de atletas desisitirem e irem embora no carro da organização. Nós estávamos determinados a terminar a prova nem que demorássemos o dia inteiro. Neste abastecimento havia sandes de paio, que tentei comer, mas apenas consegui comer o paio deixando o pão. Já um pouco mais restabelecidos partimos para mais uma etapa, desta vez até ao 39 km onde se situava o próximo abastecimento. Mas afinal a areia ainda não tinha acabado, andámos mais uns quantos km em areia pelos pinhais de Sesimbra. Atravessámos várias estradas de alcatrão e continuávamos sempre a correr em areia solta depois tantos km seguidos de areia vinha com dores nos tornozelos e nos joelhos.  Ponderei mesmo em desistir  no abastecimento, ao 39 km porque vinha em sofrimento com dores, com algumas dificuldades em respirar e já tinha perdido a vontade de correr. Comecei a ficar em baixo psicologicamente porque tinha treinado durante tantos meses para esta prova e ponderava desistir, abandonando o meu amigo Rui Soeiro, que muito provavelmente iria sozinho até ao final. Alguns minutos a caminhar e a desabafar com o Rui e ao 37km vemos uma casa com um casão e um cones florescente no chão, pensei que fosse o controlo de tempo. Até acertei na parte dos cones, era um controlo de tempo, mas olhamos para a esquerda e vemos o abastecimento! Fiquei aliviado por finalmente puder descansar sentando-me. Neste abastecimento havia canja, o Rui muito amavelmente perguntou-me se queria canja e foi buscar-me uma para mim. Após comer a canja comecei a sentir-me melhor, levantei-me continuei a comer, fruta, pão com presunto, beber água, isotónico e coca cola. Depois de me refrescar debaixo de uma torneira que havia no casão, troquei de tshirt, para outra tshirt de alças. Entretanto liguei à minha mais do que tudo a dizer que estava a pensar em desistir porque estava cansado e estava no 37 km, ela respondeu-me: - ainda? já chegou montes de pessoal e há muito tempo... Ora mas que bom incentivo, uma pessoa está ali cansada e ainda longe da meta e ouve uma coisa daquelas... Sinceramente... Já um pouco mais restabelecidos lá arrancámos devagar para não estragar o que tínhamos estado a recuperar. Pensei se não aguentasse até ao fim ficaria no próximo abastecimento já na pedreira, mas sabia que a partir da pedreira até ao final faltaria muito pouco portanto pensei que ia conseguir chegar ao fim. Uns quantos km mais à frente molhámos finalmente os pés, num pequeno riacho, passámos por um morangal. O terreno começou a mudar e deixámos de ter areia e passámos a ter um piso já nosso conhecido, terra alaranjada e com alguma pedra à mistura. Depois de uma descida brutal e perigosa com muita pedra no chão, passámos por um atleta que vinha a caminhar, falei com ele e tentei dar-lhe força, mas ele disse que tinha os pés em muito mau estado e iria desistir. Tentei demovê-lo a dizer que já faltava pouco para o final, mas penso que terá mesmo desistido. Eu e o Rui chegámos ao abastecimento e encontrámos o Pedro Coelho, que pertencia à organização, depois de uns minutos à conversa com ele, seguimos em direcção à pedreira. Quando vi aquela paisagem já conhecida da minha pessoa fiquei logo com outro ânimo, como se estivesse em casa, no ano transacto tinha participado na versão curta da prova.  Fiquei extremamente motivado por estar num local que já conhecia e por saber que já faltava pouco até ao final, já "cheirava a meta!" Depois de ir aos pulos de alegria durante 2 km saímos da pedreira e fomos aproximando do último ponto a conquistar, o Castelo de Sesimbra. A subida até ao Castelo deu-me cabo da alegria toda e o fôlego que tinha recuperado no último abastecimento. Nesta subida, até ao Castelo, o Rui foi à frente e eu fui a seu reboque até ao último abastecimento. Cheguei ao abastecimento sem qualquer tipo de fôlego, sem conseguir falar, imaginem o esforço que fiz... No ponto de abastecimento só consegui pedir um copo de coca cola e para não estarmos a perder mais tempo seguimos para fora do Castelo e até ao final seria sempre a descer. Mas ao contrário do ano passado, tivemos que percorrer mais um km do que ano passado, mas valeu a pena porque passámos perto de uma pequena queda de água. Durante a descida comecei a ter dores na zona abdominal, por baixo das costelas flutuantes, dores nos tornozelo e joelhos. As últimas centenas de metros foram feitas no alcatrão e depois em cima do passadiço, já na praia. Na meta estavam as nossas mulheres e as filhas do Rui. O Rui tentou passar a linha de meta com uma das suas filhas mas ela não se sentiu à vontade e acabou por transpor a linha de meta sozinho. No final agradecemos um ao outro pelo esforço e apoio mútuo.  Terminámos a prova em 9h40m, terminámos a prova em 146º e 147º (Rui) em 186 atletas que chegaram ao final da prova. Partiram 244 atletas e chegaram ao fim 186 atletas, desistindo 58 atletas, cerca de 23% não concluiu a prova, em grande parte devido aos 30º C, que se fizeram sentir nesse dia em Sesimbra. Quero agradecer ao meu companheiro desta Ultra aventura, Rui Soeiro, pelo apoio e companhia durante toda  prova e claro à minha mulher Marta por me acompanhar nestas aventuras e ter estado um dia inteiro à minha espera... ;)


Para a posteridade fica o excelente filme que o Rui fez sobre a prova. 


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Já sou Ultra Maratonista!

Foram precisos uma queda, duas feridas profundas (entre outras), um escaldão, uma bracelete do relógio danificada e 9h40m de prova para me tornar Ultra Maratonista! Dentro em breve vou relatar mais ao pormenor esta grande aventura!



I Trail Running Calhandriz

Decidi inscrever-me para este trail curto como o último evento de preparação para o Ultra Trail de Sesimbra. Como era uma distância curta (18km) com algum desnível (D+ 600m) e ainda por cima ficava relativamente perto, em Calhandriz  (Alverca) era um desafio interessante. Com relativa facilidade cheguei a Calhandriz, estacionei o carro e fui levantar o dorsal, num largo muito engraçado  onde era a partida. Para a partida estavam cerca de 150 participantes. O primeiro km foi todo feito em alcatrão, dentro da localidade e a subir a 6m14s. De seguida tivemos 3 kms de sobe e desce constante antes de começarmos a subir durante 2 kms até ao 6 km. Esta subida foi provavelmente a subida mais íngreme que me deparei até hoje, tive necessidade por vezes de subir em quatro apoios, tal era a inclinação da montanha que tivemos que escalar.  




Pelo meio tivemos o primeiro abastecimento, que por sinal era bastante rico, com mel, marmelada, fruta, água, isotónico.  Depois do abastecimento tivemos uma parte com uma grande descida em cerca de 1.5km. 




Ao 8 km surgiu a maior subida, praticamente 3 km a subir. Ao 11 km estava um dos vários pontos de controlo ao longo do percurso, curiosamente nesse ponto disponibilizaram água num copo e quase nem houve necessidade de parar. De seguida nova subida que obrigou mais uma vez ir a passo tendo em conta a inclinação e a extensão da mesma, foram mais ou menos 1.5 km a subir. 



Seguiram-se 2 km a descer, com novo abastecimento e novamente a fartura e a qualidade do anterior para além da simpatia dos elementos da organização. A determinado momento começámos a ver à nossa esquerda uma pedreira enorme e com uma paisagem diferente do que tínhamos visto até a esse momento. Até ao final e a partir do 15 km foi quase sempre a subir. Já bem perto da meta tivemos uma subida em alcatrão que rebentou com o resto da energia que ainda restava. Ainda consegui ultrapassar alguns atletas nestes 3 últimos quilómetros entre os quais a 2ª classificada feminina.

Ainda atrás de três atletas que acabaria por ultrapassar, entre os quais a 2ª classificada feminina.

Na última rampa de acesso ao largo onde se situava a meta ultrapassei um atleta que já vinha a passo.



Cortei a meta com um tempo oficial de 2h04m. 



Terminei classificado em 41º em 157 atletas que terminaram a prova. No escalão de masculino classifiquei-me em 40º em 128 atletas que cortaram a meta. Gostei bastante da prova e provavelmente voltarei para o ano de 2015.

Aspectos negativos

  • Poucos atletas presentes na prova;
  • não houve a habitual entrega de tshirt.  

Aspectos positivos
  • Excelente organização;
  • abastecimentos de qualidade e quantidade mais do que suficiente;
  • simpatia dos elementos da organização;
  • percurso com marcação quase perfeita;
  • muitos elementos da organização espalhados pelo percurso;
  • percurso exigente e diversificado;
  • apoio de bombeiros.
Esta prova tem tudo para integrar o Circuito Nacional de Trail no próximo ano. 




terça-feira, 22 de abril de 2014

Montejunto Trail - 13 de Abril de 2014

Decidi ir a esta prova, na sua versão mais curta de 21 km, logo no fim de semana a seguir a (empeno) dos Trilhos de Almourol. Combinei ir com um "Esquilo" o Pedro C.  e acabei por ir com outro "Esquilo", o Hugo F. Seguimos até à localidade Pragança a norte da Serra de Montejunto. O  levantamento dos dorsais foi feito num aviário industrial, onde a organização tinha instalado o secretariado. O tempo começava a escassear e tivemos que equipar à pressa para podermos entrar no autocarro que nos levou até ao local de partida, num largo perto de um café na localidade de Abrigada. O inicio da prova foi atrasado devido ao facto dos atletas terem chegado muito em cima da hora da partida e, consequentemente, do levantamento dos dorsais ter sido muito prolongado. A prova maior, de 37 km, tinha como horário de partida as 9h00 e a sua partida foi atrasada em 30 min  começando às 9h30. A nossa prova partiu 5min depois. Os primeiro kms foram feitos em bom ritmo, no alcatrão, depois entrámos em estradões de terra batida. Sensivelmente ao 3.5 km tivemos que escalar a primeira de muitas subidas muito íngremes. Durante esta subida passámos a linha de nuvens.



Essa subida teve a extensão de 1 km, sempre a subir por single tracks com muita pedra à mistura.  Chegados ao primeiro abastecimento, depois de andarmos a descer durante 2/3 km, estava à disposição água dada por vários elementos da organização. Depois tivemos que escalar a encosta da montanha durante praticamente 2 km com single tracks com muita pedra e com uma paisagem deslumbrante não só da montanha mas também do nevoeiro instalado mais a baixo. Chegámos finalmente ao topo da montanha já perto da zona das antenas e das instalações meteorológicas do IMPA. Descemos, durante 2 kms, por single tracks e depois por uma estrada de alcatrão antes de entrarmos novamente em trilhos. Passámos ao lado de um pequeno lago que tinha inclusivé patos e vimos também a antiga fábrica do gelo, ao 10 km. O segundo abastecimento surgiu ao 11.5 km. Supostamente seria abastecimento sólido, mas de abastecimento sólido tinha muito pouco, apenas tinha pequenos pedaços de maçã, pêra e umas pequenas bolachas salgadas. Também à disposição estava água, mas fiquei muito desiludido com o pobre abastecimento... Segui e mais à frente vejo uma rapariga a torcer o pé e a cair, abrandei para ver a gravidade e parecia "apenas" uma entorse, fiquei descansado porque ficou um atleta com a rapariga e segui.  Mais à frente uma placa indicava para a esquerda o percurso do trail curto, virei e foi sempre a descer durante uma boa centena de metros.  Mas os organizadores estiveram bem e de repente tivemos de virar à esquerda para uma "bela" rampa que tivemos que escalar. Foi uma parte muito interessante porque estávamos ora a subir ora a descer. Voltámos a descer para passarmos junto duma zona onde já tínhamos passado anteriormente. Umas centenas de metros, um pouco mais à frente do 16 km,  mais à frente vejo um senhor sentado no chão já com alguns atletas a prestarem ajuda. Provavelmente estava com uma quebra de tensão porque estava muito branco. Dei ao senhor um pequeno pacote de mel que transportava e segui, ficaram vários atletas com o senhor e nada mais poderia fazer. Claramente os organizadores estavam para nos dificultar a vida já que tivemos uma subida quase contínua de 3 km! Passámos de uma altitude de 73m para 238m em apenas 3 km! O último abastecimento surgiu por volta do 19km depois uma bela descida em single track. Após abastecimento segui motivado por já faltarem poucos kms mas os organizadores tinham mais umas surpresas reservadas... Apareceram umas pequenas subidas que obrigaram a quebrar o bom ritmo que trazia. Ao entrar dentro da localidade de Pragança surgiu uma subida muito íngreme que desembocava numa montanha de degraus que foram transpostos já com muita dificuldade em parte devido ao calor que já se fazia sentir. Cortei a meta com o tempo 2h57m. O Hugo D. chegou cerca de 10 min depois. Terminei classificado em 51º na classificação geral em 124 atletas que terminaram o trail curto. No meu escalão de Sen. Masc. terminei em 32º em 63 atletas que terminaram a prova.




Depois de chegar tive alguns minutos a beber água e a comer fruta que havia como abastecimento final. Depois tomámos um belo banho e voltámos à zona da partida, num pequeno largo com um coreto e com uma paisagem espectacular para comer o almoço. Como bebidas havia à disposição água, sumos e vinho, para comer uma bela canja, frango assado com batatas fritas. Foi um belo pitéu com todos os atletas e elementos da organização a confraternizarem. Em relação à prova teve aspectos muito positivos tais como: a dureza e variedade do percurso, a paisagem espectacular, o almoço final, o percurso relativamente bem marcado com placas a indicarem locais perigosos e haver vários elementos da organização em vários sítios do percurso.  Como aspectos negativos posso apontar a pobre tshirt de algodão, os abastecimentos fracos, o local do banho sem sítio para colocar os sacos (que tiveram que ir parar ao chão) e não haver sequer um local para sentar. A Serra de Montejunto tem muito potencial, com uma beleza e dureza ímpar.   

terça-feira, 15 de abril de 2014

Trilhos do Almourol - 06 de Abril de 2014

Pensava eu que iria participar numa maratona de trilhos, mas sou mesmo um menino... A maratona tornou-se numa Ultra Maratona! Mas já lá vamos... Eu e o  Rui Soeiro fomos numa delegação dos Esquilos até ao Entroncamento. Chegámos com algum tempo mais do que suficiente para levantar o dorsal trocar de roupa, tudo nas calmas. Já equipados, encontrámos o meu camarada Rui Martins que iria no autocarro connosco. Encontrámos a Isa e o Vitor preparados para a prova de trail de 25km. Trocámos algumas palavras e desejámos boa sorte mútua para as respectiva provas. Fomos transportados até ao parque de campismo do Castelo do Bode. Estive alguns minutos à conversa em amena cavaqueira e aproveitámos para tirar umas fotos. 





Antes da partida um elemento da organização referiu alguns aspectos importantes sobre a prova e informou que partiríamos ao mesmo tempo do que a prova curta. Às 10h em ponto arrancámos sempre a descer pela barragem a baixo em alcatrão, foram 2 km no ritmo mais rápido da toda a prova. Depois entrámos num single track junto ao rio muito pitoresco quase escondido pelo meio das árvores. Um pouco depois do 3 km ficámos literalmente parados para pudermos subir por uma corda um trilho muito íngreme  foram praticamente 2 km a subir, que serviu para ficar logo com os "bofes fora" mas a vida lá em cima era espectacular, a visualizar o rio Zêzere a ziguezaguear e com as encostas verdes como pano de fundo. 






Até ao 5 km foi um subir e descer constante, com as subidas a fazerem transpirar imenso, para além da humidade alta que estava na altura, perdendo líquidos e sais preciosos que mais tarde fariam falta. O primeiro abastecimento surgiu depois de uma gigantesca descida, em que não resisti e tive que acelerar que nem um louco, mas fui prontamente chamado à razão por uma subida colossal. Os primeiros 10 km foram feitos em cerca de 1h34m. O segundo abastecimento surgiu cerca do 12 km. Outra subida colossal fez voltar a baixar o bom ritmo que tínhamos durante uma boa centena de metros. Depois fomos quase até ao 20 km quase sempre a descer, ainda que de forma progressiva.  Antes do 12 km passámos por uma ponte móvel, instalada pelo Exército, sobre o Rio Nabão. 






Aproximadamente ao 19 km surgiu o terceiro abastecimento foi bom para comer algo, visto que já vinha com fome, o pitéu foram batatas fritas frutos secos, laranjas bananas. Entre o 20 km e o 22 km passámos junto a Constância onde havia algumas pessoas a assistir e a baterem palmas. Fez bem a nossa motivação e seguimos com o espírito mais reconfortado. A partir do 24 km seguimos sempre junto à linha de comboio até perto do Castelo de Almourol (26 km). 


Fiquei um pouco desiludido porque pensei que iríamos até ao Castelo, mas seguimos por uma subida tremenda até ao 4º abastecimento, situado mais ou menos ao 28 km. Depois do abastecimento já melhor reconfortados em termos de descanso, comida e bebida enfrentámos uma série de km a subir.

Pelo caminho ao 34 km festejámos com uma fotografia, a ultrapassagem do 33 km, a distância máxima que eu e o Rui tínhamos feito até a esse dia. 




Com muita dificuldade lá chegámos ao 5º abastecimento por volta do 35 km. A partir deste abastecimento comecei a sentir dificuldades físicas e comecei a ter que caminhar muito mais do que correr. Mas com os km a passarem comecei a recuperar um pouco e voltei a correr, mesmo que fosse numa intensidade mais baixa. Uns kms mais à frente numa parte de descidas, perto do 40 km, o Rui ficou para trás. O João conseguiu voltar para trás para ir ter com ele, mas eu já nem conseguia trepar fiquei à espera deles. O Rui tinha tido uma câimbra no gémeo direito. Durante uns kms fomos ainda mais devagar do que tínhamos vindo até aí. para o Rui recuperar um pouco. Depois de muita lama e uma velocidade lenta conseguimos recuperar para irmos a um ritmo aceitável, tendo em conta o estado em que estávamos. Começámos a apercebermo-nos que a prova não teria apenas 42 km. Depois de passarmos por vários túneis com água e muita lama começámos a aproximar do pavilhão, mas antes ainda houve um pequeno abastecimento, o último que serviu para refrescar e dar mais algum ânimo. Ainda antes da chegada ao pavilhão o último km (44) foi feito dentro do Parque do Bonito, já quase sem força eu e o Rui entrámos dentro do pavilhão e terminámos a prova com 7h08m.





 Com alguns aplausos e abananados andámos alguns minutos a recuperar e a comer e a beber alguma coisa. No final um bom banho de água quente que permitiu inclusive lavar as sapatilhas para tirar toda aquela lama. Passada mais de uma semana depois da prova posso concluir que foi uma prova dura, ao contrário do que diziam que era uma prova "rolante".  Sobre a organização esteve tudo 5*, muitos e bons abastecimentos, percurso muito bem marcado, diversificado (com muito sobe e desce constante). Gostei muito da chegada ao pavilhão com aquela envolvência toda dos outros atletas com elementos da organização etc. Foi um excelente teste para minha Ultra Maratona de Sesimbra de dia 03 de Maio, de 55km. Durante esta prova duvidei que iria a outra Ultra Maratona, mas depois de descansar e ter concluído outra prova este fim de semana, posso dizer que estou pronto para a Ultra Maratona de Sesimbra! Agradeço aos meus companheiros de corrida Rui Soeiro e João Santos pela companhia e por terem puxado por mim durante a prova, foram fundamentais para concluir este Ultra desafio. Terminei em 232º na Classificação Geral em 348 atletas que concluíram a prova. No meu género classifiquei-me me 213º em 305 atletas que cortaram a meta. No meu escalão SenMas terminei em 108º em 149 atletas que terminaram a prova. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Meia Maratona de Lisboa - 16 de Março de 2014

Com a a chegada desta prova, faria um ano que tinha terminado a minha primeira Meia Maratona. Foi este um dos poucos motivos que me fez ir à prova, o outro foi o facto de ter sido presenteado com uma inscrição gratuita nesta prova. Apesar de ter começado a correr há apenas cerca de dois anos, começo a perder o interesse por provas curtas, de estrada ou com enchentes de milhares de pessoas. Desta vez tinha companhia, pelo menos até à hora de partida. Fui na companhia do Miguel B., o Paulo e uma colega de trabalho. 




Já no "garrafão" da ponte e com muito tempo antes da partida decidimos fazer um bom aquecimento. Já no meio das outras "sardinhas enlatadas" esperámos pela hora de partida. Após dois minutos e pouco passámos pela linha da partida, eu como era o que tinha a previsão de fazer um tempo mais baixo tentei arrancar rápido. Os dois km da ponte foi feito a 4m42s e 4m13s. Por ser a descer, o 3 km, deveria ser o mais rápido,  foi feito a 4m14s. O primeiro abastecimento fez-me perder imenso tempo devido à confusão que estava naquele abastecimento. Um pouco mais à frente era a divisória da mini maratona e meia maratona. A partir do 5 km estabilizei em tempos na casa de 4m37s até ao 10 km. A volta foi feita na zona do Cais do Sodré um pouco antes do 8 km. O 11 km, fruto do abastecimento ao 10 km,  da respectiva confusão no abastecimento, abrandei imenso e tempo do 11 km foi de 4m48s. Os 10 km foi feitos em cerca de 45min. Até ao 14 km mantive tempos na casa de 4m40s, aproveitei para comer uma marmelada porque já estava a ter alguma fome. Obviamente tive um decréscimo no ritmo, o 14 km foi feito em 4m54s. Ao 15 km foi novamente um abastecimento, bebi água e bebida isotónica. Do 16 km para a frente comecei a perder a vontade de correr provavelmente por começar a ver o pessoal a dar volta na zona de Algés. O retorno era feito no 17 km, desse km até ao final fui mantendo ritmos na ordem dos 4m45s. Houve um abastecimento final onde aproveitei para comer uma laranja e beber água. Senti-me um pouco revigorado e fui até ao final já mais animado. 














Terminei com um tempo oficial de 1h41m47s e um tempo de chip de 1h39m02s. Terminei classificado em 1446º em 9389 atletas que cortaram a linha de meta. No final tivemos direito a uma garrafa de água e um belo gelado. Tendo em conta o calor que se fez sentir durante a prova penso que fiz um bom resultado, fiquei com a sensação que cada vez gosto menos de provas de alcatrão e com milhares de pessoas. A corrida em trilhos está a seduzir-me cada vez mais.